A proteção da pessoa humana diante das neurotecnologias: autonomia e vulnerabilidade das crianças e adolescentes
Palavras-chave:
Neurotecnologia, Crianças e adolescentes, Neurodireitos, Autonomia, Vulnerabilidade, Direitos humanos, Privacidade mental, Inteligência artificialResumo
O artigo analisa os desafios éticos e jurídicos colocados pelas neurotecnologias associadas à inteligência artificial para a tutela da pessoa humana, com foco na autonomia e vulnerabilidade de crianças e adolescentes. Parte-se da descrição da convergência entre neurociência, realidade virtual, interfaces cérebro-máquina e algoritmos de IA evidenciando tanto seu potencial terapêutico e educacional quanto riscos de vigilância, manipulação mental, impacto na identidade pessoal e aprofundamento de desigualdades. Adota-se metodologia qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, examinando literatura especializada e iniciativas normativas internacionais e nacionais sobre neurodireitos. Em seguida, discute-se o uso de dispositivos invasivos e não invasivos em população infanto-juvenil, destacando incertezas quanto aos efeitos no cérebro em desenvolvimento, fragilidades do consentimento e do assentimento, bem como riscos à privacidade mental e à agência. Analisa-se, ainda, o debate em torno da criação de uma nova categoria de direitos – os neurodireitos – confrontando posições favoráveis e críticas, à luz da teoria da fundamentação dos direitos humanos e da ideia de jurisdição de novos problemas jurídicos. Conclui-se que a proteção da mente constitui valor jurídico emergente e que, mais do que inflacionar catálogos de direitos, impõe-se a construção de um marco regulatório robusto e orientado pelos princípios da dignidade, igualdade, autonomia e responsabilidade, apto a garantir a proteção reforçada de crianças e adolescentes frente às neurotecnologias.
Downloads
Referências
BERGERON, D. et al. Pediatric neurosurgery: technical and ethical considerations. Journal of Child Neurology, 2023, Vol. 38(3-4), 223-238.
BUBLITZ, J. C. Novel neurorights: from nonsense to substance. Neuroethics, vol. 15, 2022.
CÁCERES NIETO, E.; DIEZ, G. J.; GARCÍA, E. Neuroética y neuroderechos. Revista del Posgrado en Derecho de la UNAN, n. 15, jul.-dez./2021.
DRIGAS, A.; SIDERAKI, A. Brain neuroplasticity leveraging virtual reality and brain–computer interface technologies. Sensors, 2024, 24, 5725.
DUMAN, R. S. et al. Synaptic plasticity and depression: new insights from stress and rapid-acting antidepressants. Nat. Med., 2019, 25, 624-634.
HABERMAS, Jürgen. O futuro da natureza humana. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
HALKIOPOULOS, C.; AROUTZIDIS, A.; ANTONOPOULOU, H. Advances in neuroimaging and machine learning for BCI-VR systems. Brain Res. Bull., 2024, 18, 139-143.
HALKIOPOULOS, C. et al. Advances in neuroimaging and deep learning for emotion detection: a systematic review of cognitive neuroscience and algorithmic innovations. Diagnostics, vol. 15, n. 4, 2025.
IENCA, M.; ANDORNO, R. A new category of human rights: neurorights. BMC Blog, 2017.
LEEB, R. et al. A hybrid brain–computer interface based on the fusion of electroencephalographic and electromyographic activities. J. Neural Eng., 2015, 12, 046018.
LOPES, A. M. D. Neurotecnologia: quando a tecnologia ameaça a dignidade humana. In: LOPES, A. M. D.; PAREDES, F.; PEREIRA JR., A. J.; MAIA, A. P. (Org.). Neurodireito, neurotecnologias e direitos humanos. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2022.
LUU, D. K. et al. Artificial intelligence enables real-time and intuitive control of prostheses. Nerve interface. [S. l.], 2025.
NEVES, A. C. Uma reconstituição do sentido do direito: na sua autonomia, nos seus limites, nas suas alternativas. Revista da Faculdade de Direito da Universidade Lusófona do Porto, vol. 1, n. 1, 2012.
PARIKH, P. M.; VENNIYOOR, A. Neuralink and brain-computer interface: exciting times for artificial intelligence. South Asian J Cancer. Apr 15;13(1):63-65.
PINTARELLI, C. K. O direito de pensar: um novo capítulo na história do pensamento jurídico. Coimbra: Instituto Jurídico da Universidade de Coimbra, 2025.
ROIG, R. A. Sobre neuroderechos. Materiales de Filosofía del Derecho, n. 2022/01. Disponível em: https://e-archivo.uc3m.es/.
SATTLER, S. et al. Exploring disparities in self-reported knowledge about neurotechnology. Nature - Scientific reports, 15, 18488 (2025).
SENTENTIA, W. Neuroethical considerations: cognitive liberty and converging technologies for improving human cognition. Annals of the New York Academy of Science, n. 1013, 2004.
YUSTE, R. et al. Four ethical priorities for neurotechnologies and AI. Nature, vol. 551, 2017.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Joyceane Bezerra de Menezes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.



Civilistica.com está licenciada sob a licença