Estatuto jurídico feminino e poder informal na Roma tardo-republicana

Autores

  • Maria Celina Bodin de Moraes Civilistica.com

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.18445637

Palavras-chave:

Mulheres romanas, Estatuto jurídico, Poder informal, Atuação jurídica feminina, República romana tardia

Resumo

Este artigo examina o poder informal exercido por mulheres da elite no final da República Romana (c. 130–30 a.C.), a partir de uma perspectiva histórico-jurídica centrada na tensão entre a exclusão formal do ius publicum e a produção efetiva de relevância social e normativa. Embora formalmente excluídas da cidadania política, das magistraturas e do exercício do imperium, as fontes antigas registram múltiplas modalidades de atuação feminina capazes de produzir efeitos jurídicos patrimoniais, familiares e simbólicos. Em vez de tratá-las como exceções isoladas, o estudo analisa uma constelação de mulheres aristocráticas cuja atuação se desenvolveu nos interstícios entre o direito, o costume e a prática social. Organizada em torno da fórmula virgiliana dux femina facti, entendida como chave interpretativa e não como recurso retórico, a análise reconstrói diferentes modalidades de atuação feminina, incluindo intervenção política direta, desestabilização discursiva, mediação familiar, exemplaridade moral e preservação da memória aristocrática. Sustenta-se que tais práticas alcançaram eficácia histórica sem conversão em autoridade institucional ou precedente jurídico formal, revelando um regime de normatividade social difusa no qual o poder opera fora dos mecanismos clássicos de legitimação.

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Biografia do Autor

Maria Celina Bodin de Moraes, Civilistica.com

Doutora em Direito Civil pela Università degli studi di Camerino (Itália). Graduada em História e em Direito pela PUC-Rio. Editora-chefe da Civilistica.com. Revista eletrônica de direito civil. Professora titular aposentada de Direito Civil da Faculdade de Direito da UERJ e professora associada aposentada do Departamento de Direito da PUC-Rio.

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Publicado

2025-12-29

Edição

Seção

Doutrina contemporânea