Contratos algorítmicos e onerosidade excessiva: as consequências da inflexibilidade
Palavras-chave:
Contratos algorítmicos, Contratos inteligentes, Onerosidade excessiva, Inflexibilidade, Contratos autodefinidosResumo
Muitas investigações concernentes aos contratos inteligentes (smart contracts) ainda se situam no plano teorético, haja vista a incipiência prática. Por outro lado, estruturas algorítmicas já existem e são utilizadas para parametrizar contratos autodefinidos (self-driving contracts). Esses modelos dependem de prévia indicação, por parâmetros matemáticos devidamente estabelecidos entre as partes, das soluções que deverão ser adotadas pelo algoritmo de regência, que pode ser ou não uma estrutura funcional implementada a partir da tecnologia blockchain (usualmente associada aos contratos inteligentes). O problema da investigação cuida das situações de desequilíbrio, mais particularmente da onerosidade excessiva, no contexto desses instrumentos. Trabalha-se com a hipótese de que, no atual estado da técnica, o escopo desses modelos ainda deve se restringir a situações mais singelas e menos propensas ao desequilíbrio, sob pena de sua inflexibilidade provocar distorções evitáveis e previsíveis, não pela natureza do negócio, mas pela forma adotada. A pesquisa se baseará no método dedutivo, com aportes bibliográficos e pesquisa qualitativa. Ao final, uma conclusão será apresentada.
Downloads
Referências
ANDRADE, Fábio Siebeneichler de. A teoria da onerosidade excessiva no direito civil brasileiro: limites e possibilidades de sua aplicação. Revista da Ajuris, Porto Alegre, v. 41, n. 134, p. 236-261, jun. 2014.
BASHIR, Imran. Mastering blockchain: distributed ledger technology, decentralization, and smart contracts explained. Birmingham: Packt, 2018.
DE FILIPPI, Primavera; WRIGHT, Aaron. Blockchain and the law: the rule of code. Cambridge: Harvard University Press, 2018.
DE LUCCA, Newton. Aspectos jurídicos da contratação informática e telemática. São Paulo: Saraiva, 2003.
DIVINO, Sthéfano Bruno Santos. Smart contracts: conceitos, limitações, aplicabilidade e desafios. Revista Jurídica Luso-Brasileira, Lisboa, ano 4, n. 6, p. 2771-2808, 2018.
GOLDSMITH, Jack; WU, Tim. Who controls the Internet? Illusions of a borderless world. Oxford: Oxford University Press, 2006.
LANCASTER, Frederick. Toward paperless information systems. Nova York: Academic Press, 1978.
LEVY, Karen E. C. Book-smart, not street-smart: blockchain-based smart contracts and the social workings of law. Engaging Science, Technology, and Society, Boston, v. 3, p. 1-15, 2017.
LOPES, Christian Sahb Batista. Mitigação dos prejuízos no direito contratual. São Paulo: Saraiva, 2013.
LORENZETTI, Ricardo Luis. Tratado de los contratos. Santa Fe: Rubinzal-Culzoni, 2000, t. 3.
MARINO, Francisco Paulo de Crescenzo. Revisão contratual: onerosidade excessiva e modificação contratual equitativa. São Paulo: Almedina, 2020.
MARTINS, Guilherme Magalhães. Contratos eletrônicos de consumo. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016.
MENKE, Fabiano. Assinatura eletrônica no direito brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005.
O’SHIELDS, Reggie. Smart contracts: legal agreements for the blockchain. North Carolina Banking Institute Review, Chapel Hill, v. 21, p. 177-194, 2017.
RASKIN, Max. The law and legality of smart contracts. Georgetown Law Technology Review, Washington, D.C., v. 304, n. 1, p. 305-341, 2017.
REBOUÇAS, Rodrigo Fernandes. Contratos eletrônicos: formação e validade. 2. ed. São Paulo: Almedina, 2018.
RODRIGUES JÚNIOR, Otavio Luiz. Revisão judicial dos contratos: autonomia da vontade e teoria da imprevisão. São Paulo: Atlas, 2016.
SAVELYEV, Alexander. Contract law 2.0: "smart" contracts as the beginning of the end of classic contract law. Information & Communications Technology Law, Londres, v. 26, n. 2, p. 116-134, jan./abr. 2017.
SILVA NETO, Orlando Celso da. Contratos algorítmicos autodefinidos: introdução e alguns desafios. Revista de Direito e as Novas Tecnologias, São Paulo, n.9, out./dez. 2020.
SCHOLZ, Lauren H. Algorithmic contracts. Stanford Technology Law Review, Stanford, v. 20, n. 2, p. 128-168, set./dez. 2017.
SCHOLZ, Lauren H. Algorithms and contract law. In: BARFIELD, Woodrow (Ed.). The Cambridge Handbook of the Law of Algorithms. Cambridge: Cambridge University Press, 2021.
SKLAROFF, Jeremy M. Smart contracts and the cost of inflexibility. University of Pennsylvania Law Review, Filadélfia, v. 166, n. 1, p. 263-303, 2017.
SZABO, Nick. The idea of smart contracts. Nick Szabo's Papers and Concise Tutorials, 1997. Disponível em: http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/index.html. Acesso em: 17 set. 2021.
TAPSCOTT, Don; TAPSCOTT, Alex. Blockchain revolution. Nova York: Penguin, 2016.
TUR FAÚNDEZ, Carlos. Smart contracts: análisis jurídico. Madri: Reus, 2018.
WILLIAMSON, Oliver E. Transaction-cost economics: The governance of contractual relations. Journal of Law and Economics, Chicago, v. 22, n. 2, p. 233-261, out. 1979.
WU, Tim. When code isn’t law. Virginia Law Review, Charlottesville v. 89, n. 4, p. 679-412, 2003.
ZETZSCHE, Dirk A.; BUCKLEY, Ross P.; ARNER, Douglas W. The distributed liability of distributed ledgers: legal risk of blockchain. University of New South Wales Law Research Series, Sydney, v. 17, n. 52, p. 1-49, ago. 2017.
ZITTRAIN, Jonathan. Perfect enforcement on tomorrow's Internet. In: BROWNSWORD, Roger; YEUNG, Karen (Ed.). Regulating technologies: legal futures, regulatory frames and technological fixes. Oxford: Hart Publishing, 2008.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2022 José Luiz de Moura Faleiros Júnior

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.


Civilistica.com está licenciada sob a licença